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Uma coisa que eu acho muito bacana aqui em Londres é a singela capacidade de homenegar aqueles que morreram de maneira brutal e sem possibilidade de defesa. E nem é preciso ser super observador para encontrar este tipo monumento e entender o peso de cada um. Com poucas palavras, eles dizem muito. Um dos primeiros que me chamaram a atenção foi este aqui:
Trata-se de uma homenagem aos animais que morreram em guerra. A frase “They had no choice”, esculpida no muro, é uma cassetada e, na minha opinião, representa a imbecilidade do homem ao longo das guerras e suas consequências. Pobres animaisinhos. =(
Já no Museu de Londres, logo na entrada, as pessoas dão de cara com fotos do atentado de 7 de julho de 2005, no qual morreram pais de família, imigrantes, crianças, jovens…Um livro grosso exibe fotos e com a história de vida de cada um, além de gostos e objetivos pessoais, depoimentos da família e a trajetória no fatídico dia. Uma forma de manter viva a memória destas pessoas inocentes.
Estes são apenas dois exemplos, mas, andando pela cidade, é possível fazer algumas boas descobertas neste sentido. Caminhando pela City, bairro onde tudo começou por aqui (onde você encontra arquitetura do século 19 ao lado de gigantes prédios modernos e espelhados), me deparei com um pequeno portãozinho de grades pretas, que dava acesso a um jardim colorido ao redor de uma fonte.
Fui entrando e notei algumas pessoas tirando fotos de uma parede repleta de azulejos. Pintados à mão, traziam histórias de pessoas comuns que morreram heróicamente. E o que mais surpreende: as mortes datam do ano de 1800! São crianças que morreram inocentemente tentando salvar os próprios amigos, um senhor que livrou uma mulher doente mental do suicídio na linha do trem, um irmão que salvou a irmã do incêndio na própria casa…muito emocionante.
Saí de lá me perguntando quando no Brasil iremos nos comover pela morte dos que morrem inocentemente. Vítimas da violência, da ganância, do sistema precário de saúde. Reflexão do dia: como se livrar da anestesia que nos submetemos para nos defendermos? Perguntinha difícil, se alguém aí tiver a resposta, me conte, porque eu também ainda estou tentando achar um jeito de ler as notícias e parar de fingir que tudo está indo bem.




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