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Dona de divinas tetas
julho 22, 2008 in London | Tags: Barcelona, culto ao corpo, Europa, praia | 1 comentário
Adoro esta autoconfiança que as mulheres européias têm. Se nós, mulheres brasileiras, fôssemos 1% tão livres com relação ao nosso corpo quanto elas, sofreríamos muito menos.
Herba Life? Lipo? Academia? Dieta? Shakes milagrosos? Blé! Isso é pra loosers. O lance é fazer topless na praia. Tomando cerveja. Comecei a reparar esse desprendimento com relação ao corpo aqui mesmo em Londres, quando começou o verão (se é que pode se chamar isso aqui de verão).
Eu entrava no metrô e via aquelas pernas branquíiissimas em shorts curtíiiissimos. Lembrando que a anatomia delas também não ajuda muito…nós temos a sorte de herdar, no geral, o formato cintura fina + quadril largo que, quilinhos a mais ou a menos, sempre resultam nas nossas mundialmente famosas curvas.
Em Barcelona, a praia que separa gente vestida dos completamente nus ou sem a parte de cima, fica a poucos metros uma da outra. Nunca fui em uma praia de nudismo no Brasil, mas o que eu pude presenciar foi uma sensação de liberdade e respeito que me fez ter vontade de entrar no meio da festa! Obviamente, fui impedida por motivos maiores (meu namorado).
O que me convidaria a efetivamente entrar nessa praia é saber que as pessoas não estão lá pra se exibir ou pra azarar. Até porque não tem só Gisele. Tem mãe de família, tem velhinhos, tem moças novas com corpões e outras com suas gordurinhas sobrando, e até um casal de homossexuais com dois filhinhos eu vi. Fiquei surpresa quando fui tirar uma foto panorâmica da praia, e, ao ver o resultado, saiu uma tiazinha entrando no mar com as muxibas beijando a água. “Divinas tetas”, eu pensei. Isso sim é envelhecer com dignidade!
A verdade é que ninguém tá preocupado se você tem dois quilos a mais ou usa manequim 42. Agora vejo que o culto ao corpo é mesmo “coisa nossa”, uma coisa que está impregnada na nossa cultura.
Como eu disse, nunca fui em uma praia de nudismo brasileira. Mas em compensação eu já fui em praia onde eu tive vergonha de ficar de biquini, tamanha a quantidade de coxas saradas e braços marombados ostentando tigelas de açaí e aguas-de-côco. Mánunca que eu ia exibir meus culotezinhos e, muito menos, me atrever a abrir uma lata de cerveja! E olha que eu amo, amo, mil vezes amo, praia. Mas dessas eu quero passar longe!
Não quero esteoreotipar – porque se tem uma coisa que eu tô aprendendo cada dia mais é não me prender a esterótipos –, não acho que todo brasileiro sofra ao ver a própria barriguinha de cerveja. Mas falo por mim mesma. Por mais que eu queira ser desencanada, meu dia acaba quando não consigo entrar numa calça. Sofro de verdade com isso: pelo fato de ser tão estúpida a ponto de ver meu humor alterado por um quilo a mais, e, ao mesmo tempo, de não saber controlar isso, do auge dos meus 27 anos de idade (já era hora de sair da adolescência, né? Rs).
Sendo assim, concluo que, ao voltar pro Brasil, só me restam duas opções: começo a marombar de vez e reduzo meu tão amado, salve, salve prato de arroz e feijão a duas rodelas de tomate; ou abraço os peladões e vou ser feliz em uma praia de nudismo. E quando eu for velhinha, igual a tiazinha da foto, espero saber enxergar os sinais do tempo como eles realmente devem ser vistos. Como simples consequências de uma vida repleta de muitas praias, sol, mar, cerveja, amendoim joaoponeiz e finzinhos de tarde para se jogar na areia.
Praia de Barcelona


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