You are currently browsing the tag archive for the ‘Europa’ tag.
Tag Archive
Quero ser igual Gaudí
agosto 13, 2008 in London | Tags: Barcelona, educação, Europa, Gaudí | 3 comentários
Foi isso que o filhinho de sete anos de um amigo que mora em Barcelona disse a ele, depois de visitar o Parque Güell em uma excursão pela escola. Essa frase ficou martelando na minha cabeça por alguns minutos.”Que merda”, pensei. “Quem nasce aqui na Europa está a dez anos luz na nossa frente mesmo”.
Eu ainda não sou mãe, por isso nem consigo imaginar quem as crianças brasileiras querem ser quando crescerem (tenho até medinho da resposta). Também não entendo lhufas de arquitetura, mas Gaudí obviamente estava à frente dos demais.
Do auge da minha ignorância, a única definição que encontrei ao conhecer o trabalho do cara de perto é: ele conseguiu concretizar (literalmente, ha-ha-ha) todas as pirações que milhares de outros arquitetos já tiveram. Alías, acredito eu que ele zuou meeesmo com a cara dos que não botavam uma fé neste tipo de loucura. Do tipo: “Não falei que dava pra construir qualquer coisa sem uma linha reta sequer? Não falei, não faleeei?
Entrada para o Parque Güell, onde o Gaudí pirava o cabeção
Talvez pros demais faltou força de vontade, dinheiro, determinação, mas, acima de tudo, audácia. Somente uma pessoa audaciosa teria coragem de iniciar a construção de uma igreja em 1882, projetada para ser a maior da Europa (lembrando que ô terra pra ter catedral, viu, rs), com plena consciência de que não veria o fim da obra. Sim, porque ela está em construção até hoje (!!!) com previsão de término para 2084! =0 Dizem até que, em determinado momento, a grana já não era suficiente e lá foi ele trabalhar de graça, renunciando ao próprio salário.
Bem, eu poderia ficar escrevendo horas para tentar explicar em palavras o que são as obras fantásticas do Gaudí, mas… 1. Eu nem de arquitetura entendendo e provavelmente vou falar e já estou falando merda 2. A intenção do texto nem é falar sobre arte, e sim, sobre educação. Sendo assim, melhor eu me ater à reflexão inicial.
Eu fico um pouco abalada quando lembro que esses putos aqui da Europa já nascem com tudo na mão, sabe. Os grandes pensadores europeus, imagino, tinham mesmo a obrigação de criar coisas geniais. Afinal, quem não quer sentar a bunda na beira o Sena ou do Thames para ficar refletindo e inventando moda?
Mas, ao mesmo tempo, acredito que a expressão da cultura e da arte é só o resultado da educação que uma pessoa teve. E não no sentido “cartilha do saber”, mas no sentido de boas referências, tanto em casa como na escola. Bons exemplos pra copiar. Bons ídolos pra pra admirar.
Tanto que, assumindo aqui humildemente meu desinteresse pela política brasileira, nas últimas eleições votei no primeiro sem-vergonha que falou em educação como proposta principal. Como é o mesmo o nome dele…. rs… (brincaderinha). Votei no Cristovam Buarque de olhos fechados, sem analisar ficha criminal, histórico político ou renda declarada.
Porque pra mim é nítido que se tem miséria, violência e desigualdade, é porque o sistema educacional no Brasil ainda é falho. Temos inúmeros outros problemas de ordem pública: transporte, segurança, saúde. Mas absolutamente TUDO isso está ligado à educação, não tem como ser diferente.
Por isso, para mim, ouvir uma criança de sete anos falando em Gaudí (oi, eu não sabia do que se tratava até pisar na Espanha) é um soco no estômago, mas… convenhamos. São anos e anos de história. E não dá nem pra atribuir estes problemas ao governo ou a qualquer outro aspecto…tem culpaquem nesta confusão?
O Cristovam Buarque, que não foi capaz de ser eleito? Ou o Colombo, que descobriu a América e chamou a putaiada toda pra festa da exploração? Sinceramente, não dá pra botar a culpa no passado. Tudo tem um contexto e tudo tem solução.
Acho um porre este povo que fica lamentando a história, sabe. Se fomos explorados, e até hoje não sabemos lidar com isso, o problema é bem mais sério do que simples fator histórico. É caso de psicanálise pra reaver a auto-estima! Londres passou por uma peste que vitimou grande parte da população, por um incêndio que tostou outros 45% da cidade, viu duas guerras mundiais e… sobreviveu.
Não quero voltar pro Brasil com pensamentinho de quem morou fora e das duas uma: vira um nacionalista meia-tigela que tapa os olhos pra realidade; ou vira um crítico político vazio com argumentos baseados no que concluiu FORA do país (mas que também não mexe a bunda por nada pra tentar mudar algo).
Apenas quero voltar com um raciocínio que pode parecer piegas, mas pra mim faz todo o sentido. O Brasil só vai mudar quando todo mundo começar a pensar coletivamente. Não dá pra esperar uma revolução no governo. Tá mais do que na hora de arregaçar as mangas e entrar pra briga.
Quero sair do discursinho de reciclar papel e tomar café em xícara de vidro, e não em copo de plástico. Isso é muito bonitinho mas é pouco. Quero que meus filhos queiram ser Gaudí. Mas enquanto não tenho filhos, porque não tentar fazer algo pelos dos outros?
Cartão postal de Barcelona: banco-varanda do Parque Güell, decorado com azulejos quebrados
Dona de divinas tetas
julho 22, 2008 in London | Tags: Barcelona, culto ao corpo, Europa, praia | 1 comentário
Adoro esta autoconfiança que as mulheres européias têm. Se nós, mulheres brasileiras, fôssemos 1% tão livres com relação ao nosso corpo quanto elas, sofreríamos muito menos.
Herba Life? Lipo? Academia? Dieta? Shakes milagrosos? Blé! Isso é pra loosers. O lance é fazer topless na praia. Tomando cerveja. Comecei a reparar esse desprendimento com relação ao corpo aqui mesmo em Londres, quando começou o verão (se é que pode se chamar isso aqui de verão).
Eu entrava no metrô e via aquelas pernas branquíiissimas em shorts curtíiiissimos. Lembrando que a anatomia delas também não ajuda muito…nós temos a sorte de herdar, no geral, o formato cintura fina + quadril largo que, quilinhos a mais ou a menos, sempre resultam nas nossas mundialmente famosas curvas.
Em Barcelona, a praia que separa gente vestida dos completamente nus ou sem a parte de cima, fica a poucos metros uma da outra. Nunca fui em uma praia de nudismo no Brasil, mas o que eu pude presenciar foi uma sensação de liberdade e respeito que me fez ter vontade de entrar no meio da festa! Obviamente, fui impedida por motivos maiores (meu namorado).
O que me convidaria a efetivamente entrar nessa praia é saber que as pessoas não estão lá pra se exibir ou pra azarar. Até porque não tem só Gisele. Tem mãe de família, tem velhinhos, tem moças novas com corpões e outras com suas gordurinhas sobrando, e até um casal de homossexuais com dois filhinhos eu vi. Fiquei surpresa quando fui tirar uma foto panorâmica da praia, e, ao ver o resultado, saiu uma tiazinha entrando no mar com as muxibas beijando a água. “Divinas tetas”, eu pensei. Isso sim é envelhecer com dignidade!
A verdade é que ninguém tá preocupado se você tem dois quilos a mais ou usa manequim 42. Agora vejo que o culto ao corpo é mesmo “coisa nossa”, uma coisa que está impregnada na nossa cultura.
Como eu disse, nunca fui em uma praia de nudismo brasileira. Mas em compensação eu já fui em praia onde eu tive vergonha de ficar de biquini, tamanha a quantidade de coxas saradas e braços marombados ostentando tigelas de açaí e aguas-de-côco. Mánunca que eu ia exibir meus culotezinhos e, muito menos, me atrever a abrir uma lata de cerveja! E olha que eu amo, amo, mil vezes amo, praia. Mas dessas eu quero passar longe!
Não quero esteoreotipar – porque se tem uma coisa que eu tô aprendendo cada dia mais é não me prender a esterótipos –, não acho que todo brasileiro sofra ao ver a própria barriguinha de cerveja. Mas falo por mim mesma. Por mais que eu queira ser desencanada, meu dia acaba quando não consigo entrar numa calça. Sofro de verdade com isso: pelo fato de ser tão estúpida a ponto de ver meu humor alterado por um quilo a mais, e, ao mesmo tempo, de não saber controlar isso, do auge dos meus 27 anos de idade (já era hora de sair da adolescência, né? Rs).
Sendo assim, concluo que, ao voltar pro Brasil, só me restam duas opções: começo a marombar de vez e reduzo meu tão amado, salve, salve prato de arroz e feijão a duas rodelas de tomate; ou abraço os peladões e vou ser feliz em uma praia de nudismo. E quando eu for velhinha, igual a tiazinha da foto, espero saber enxergar os sinais do tempo como eles realmente devem ser vistos. Como simples consequências de uma vida repleta de muitas praias, sol, mar, cerveja, amendoim joaoponeiz e finzinhos de tarde para se jogar na areia.
Praia de Barcelona




Comentários